Faltou escrever algumas coisas.
Li o que acabei de escrever, e no último parágrafo dá a impressão que eu sempre andei de carro a vida toda.
Na minha infância o meio de transporte da família era táxi ou ônibus da CMTC. Para ir à escola/faculdade e ao trabalho, andava sempre de ônibus. Se tem uma coisa boa do transporte público é se desligar do trânsito com um livro, música ou hibernação. E não precisa procurar vaga para estacionar.
Mas uma hora eu cansei de ter que ir pendurado na porta do ônibus todo dia para ir trabalhar/estudar. Mais precisamente com 21 anos. Eu nem gostava de dirigir, tirei a carta de motorista aos 18 por tirar. Comprei um carro porque não dava mais pra ficar naquela situação, e sair da faculdade a noite pra pegar outro ônibus lotado estava foda.
Esses dias eu ouvi um comentário em algum lugar de que a vida social urbana do paulistano não estava mais existindo, ninguém olha mais na cara de ninguém, mais por causa do carro. Isso é verdade, no ônibus eu normalmente via as mesmas pessoas, e depois de um tempo sem querer se conhecia elas. Também existe o flerte… Dentro do carro as pessoas são muito mais solitárias, embora o sentimento de solidão seja substituído pelo sentimento de poder.
Existem personagens que acabam marcando. Esses dias estava passando pela 23 de Maio e vi um doido (de verdade) no ponto de ônibus, que já havia visto antes. Aí eu lembrei que ele sempre pedia para entrar no ônibus e ficava pedindo dinheiro e aloprando todo mundo. Sentia raiva daquele filho da puta, mesmo sendo ele deficiente mental e nunca ter mexido comigo. Não entendia porque os motoristas deixavam ele entrar, acho que era só de pirraça com o pessoal. E quase dez anos depois ele continua fazendo a mesma coisa.
Mas deixo claro, esse tipo de socialização não acontece quando o ônibus está superlotado, como na maioria das vezes. Nesse caso, prefiro a solidão e conforto do automóvel.
Tags: cotidiano, dia mundial sem carro, são paulo, trânsito
Janeiro 19, 2009 às 3:54 pm |
[...] Quando usava esta linha, toda manhã acabava ficando pendurado na porta porque ele já estava lotado quando passava no meu ponto. E a demora entre um ônibus e outro chegava a ser de meia hora. Na volta para casa pegava meio cheio, ficava de pé na porta da saída. A falta de respeito do paulistano com o próximo é uma coisa para se fazer uma tese. [...]