Ocupar prédios é preciso. Porque gente vale mais que barata

novembro 8, 2011

 

 

Ocupar prédios é preciso. Porque gente vale mais que barata.

 

Ótimo texto do Sakamoto

Bexigas

setembro 28, 2011

Prozac’s

setembro 5, 2011

Ás

julho 30, 2011

Para viver em uma calçada ou embaixo de um viaduto é preciso deixar todo sentimentalismo barato para trás. Você não acha por aí mendigos mimados ou carentes de mão na cabeça.
Houve um tempo em que eu não tirei da cabeça a idéia do suicídio. Nada mais fazia sentido. Eu não queria mais continuar. Havia fracassado em tudo que tinha tentado fazer. Game over. Não tinha que viver aqui na sujeira, com um bando de loucos fedidos e esfomeados de pão e pinga. Cheguei a ficar mais de quinze dias sem falar uma palavra. Já pensei em todo tipo de suicídio, desde silenciosos a pirotécnicos. Eu não tive coragem.
Depois me adaptei,  terminei minha mutação. Sou um morlock do submundo. Não espero que o mundo me abrace, que eu seja feliz para sempre com um emprego que eu sempre quis, e com uma mulher gostosa. Quero apenas sobreviver. Quero apenas observar. Ficar chapado, pensar, viajar. Não preciso antecipar minha morte, ela pode chegar amanhã.
Não digo que não tenho sonhos, ainda tenho um ou outro, sem maiores pretensões. Quero apenas observar o mar, e ter dinheiro suficiente para passar meus últimos dias sem passar fome. Talvez essa seja minha idéia de felicidade.

Sonhos

julho 24, 2011

Estava em Cingapura.
Haviam furtado meus cartões.
Reflexão sobre a ausência de árvores.
Uma pequena dose de pânico.
Acordei e conferi a carteira, estava tudo ok.

Bosques

julho 21, 2011
Quando entro dentro da praça, entro em outro mundo. Pode ser minha mente indo longe, ou pode ser a carência do verde. Grandes árvores, cheiro de eucalipto e trilhas (construidas recentemente) e bancos para relaxar e ouvir passaros e o silêncio. Mesmo no dia mais tranquilo as árvores não deixam você se sentir sozinho. Perto de casa. Caminho meia hora para chegar aqui, e a vontade é de não voltar tão cedo. Hoje em dia, rodeados por máquinas, podemos nos surpreender com a simplicidade de uma árvore. Um canto para pensar sem ter que ouvir a humanidade trabalhando. A identificação com bosques deste tipo é tanta que eu penso na relação dos meus antepassados com florestas e matas. Entro em suas trilhas mesmo à noite, sem medo. A sensação de liberdade proporcionada é gostosa. Venho aqui desde que conheci o lugar andando de bicicleta na adolescência. Continua o mesmo. Na verdade está melhor, com o apoio de moradores locais e da associação do bairro. Além do verde interior, na borda há uma pista de cooper ou caminhada, também reformada recentemente.
Este lugar fica entre as pistas da Av. Manoel dos Reis Araújo, no Jardim Marajoara. É um pequeno espaço, suas medidas máximas chegam a 220x60m. Mas cabe uma boa porção da minha imaginação lá dentro.
(para o Jornal Sintonia)

Cão no Caiaque

julho 18, 2011

http://www.panoramio.com/photo/55752342

Cabeças e árvores

julho 9, 2011

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Resolvi andar. Endorfina. Ruas, praças. Um cemitério, porque não? O maior da america latina. Com certeza paz é o que não falta naquele lugar.
Entro e desço uma rua asfaltada, com túmulos pobres à minha direita. Silêncio. Chego ao meio do parque e vejo que há um velório. A brincadeira já estava ficando sem graça. Resolvi ir até a mata de árvores altas. Se tem um lugar que me faça me sentir bem é o interior de um bosque ou floresta. Não sei explicar muito bem o porquê. Vi um gavião, tentei chegar perto para uma foto com o celular. Ele não deixou e saiu voando. Quando vi era um bando. Fiquei em dúvida se gaviões comem carne morta, porque existia um grupo de urubus que pareciam ser rivais. Entrei no bosque. Gosto de olhar para cima e ver as copas e o céu. Ando olhando para cima. Galhos enroscam no meu pé e arranham a batata da perna. A base das árvores estavam negras. Olho pro outro lado e vejo velas. Entendi. Galhos e mais galhos enroscam. Rasgam. Saí dali e entrei numa rua que margeia o bosque. Um pedaço de madeira logo a frente, parece que caiu das árvores. Chegando perto vejo que tem a semelhança de alguma coisa. Sombras passam por mim, acho que são de algum avião. São urubus. Três. Chego mais perto. Moscas. Cabeça de um bode. Como podem chamar essa porra de religião? Saí do cemitério às pressas, tropeçando em tudo, com algo preso na garganta. Mais de duzentos mil mortos ali e quem me expulsam são poucos vivos sujos que sequer estavam ali.

junho 26, 2011

Acordou e sentiu sua cabeça doer. Estava frio, mas sua mão estava pulsando. Não se importou. Ao se apoiar também percebeu que a mão tinha sangue seco e estava muito inchada. Não sabia que dia era. Viu uma mulher com um carrinho de bebê na outra esquina. Chegou razoavelmente perto. Cães. Três dividiam o carrinho. Teve plena convicção que aquela mulher mudaria sua vida. Foi atravessar a avenida. Vinha um carro acelerando, vermelho como seu nariz. Teve certeza que o carro acelerou quando o viu. Tentou correr, o carro chegando junto com a morte. Chegou vivo à calçada. Felicidade instantânea. O que falar para a mulher? Dor instantânea. É o fígado, certeza. Caiu alguns metros antes de seu objetivo. Um cão pulou do carrinho, cheirou o homem e o lambeu. Foi seu último carinho. A mulher chamou o cão e foi embora.

Parada

maio 24, 2011

creio que não hajam leitores habituais

mas se eles ainda existam depois desta longa parada

digo que não consigo mais escrever

talvez outras mídias tenham colocado o delírio em coma

ou talvez a preguiça o tenha expulsado

um dia talvez ele volte, mas nada é previsto.


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